Casa Sportman/1912-1913

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* Localização

Careta, ano 5, número 225, 21 de setembro de 1912 (foto da esquerda)

Careta, ano 6, número 248, 1 de março de 1913 (imagem da direita)

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* Descrição

– Foto da esquerda – Imagem da fachada da Casa Sportman, que se localizava na Rua dos Ourives, 25/27. No alto da fachada, logo abaixo do nome da loja, vemos uma informação sobre os produtos vendidos: calçados finos e artigos para sport.

– Foto da direita – Propaganda da loja oferecendo produtos para a prática do futebol, recebidos de Londres: camisas, bolas, chuteiras, gorros, apitos, bombas etc. Percebe-se que a loja tinha uma filial (provavelmente a matriz) na Avenida Rio Branco, 52. Destaca-se a bela gravura do jogador, com a bola em primeiro plano.

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* Comentário

A gestação de um mercado é uma das marcas da conformação do campo esportivo. No caso brasileiro, desde o século XIX havia lojas que se dedicavam a vender produtos para a prática das modalidades, embora não exclusivamente dedicadas a tal.

No caso do turfe e do remo, os produtos eram vendidos em lojas dedicadas à agropecuária ou atividades náuticas em geral. Lojas de roupas passaram a oferecer, entre outras coisas, vestimentas adequadas às novas práticas. Deve-se considerar que não era elevado o número de praticantes, embora já o fosse o número de assistentes.

Nesse sentido, o futebol tem grandes contribuições para o desenvolvimento desse nicho específico de mercado (a venda de produtos esportivos). Como se tornou rapidamente popular, cresceu o número de lojas que ofereciam equipamentos para sua prática. Com isso, essas mercadorias paulatinamente também se tornaram mais acessíveis, o que contribuiu para a substituição de materiais improvisados. Logo, a configuração do mercado também contribuiu para a popularização do futebol.

O caso da Casa Sportman, fundada em 1905, é um belo indício desse processo nos anos iniciais do século XX. A loja vinculava-se à prática esportiva já no nome, um indicador não só de que vendia produtos para a prática de modalidades, mas sim de que vendia produtos considerados adequados a um novo estilo de vida (mais sportivo).

Os produtos esportivos oferecidos eram importados, também um sinal de distinção, mas fundamentalmente devido ao fato de que a precária indústria brasileira ainda não produzia habitualmente o material. Destaca-se ainda que a empresa possuía uma loja na prestigiosa Avenida Rio Branco, onde se localizava o comércio mais fashionable da ocasião.

A Casa Sportman participou ativamente do desenvolvimento do esporte na cidade. Por exemplo, por lá, em 1916, eram vendidas as Regras Officiaes de todos os Sports, livro majoritariamente dedicado ao futebol, no qual podemos ler na apresentação:

“(…) A Casa Sportman já tão conhecida de todos os amadores do sport, e sendo cada vez mais admirada por todos os sportmen, pela certeza de tê-los bem servido em tantos quantos artigos tem importado da Inglaterra, França e América do Norte, aproveita a oportunidade para ofertar-lhes em agradecimento à preferência que lhe tem dispensado os amigos e tributários dos clubes de sport, as várias regras contidas neste folheto (…)” (apud Toledo, 2000).

Por lá também se vendiam ingressos para jogos de futebol, como, por exemplo, para a inauguração do Estádio de São Januário, em 1927. Para registro, esses eram os preços das entradas: Camarotes – 60$000; Cadeiras de Pista A – 12$000; Cadeiras de Pista – 10$000; Arquibancadas – 5$000; Gerais – 3$000.

Por lá também se pôde votar no concurso que a Companhia de Cigarros Veado fez, em 1930, para escolher o melhor jogador do Brasil, vencido por Russinho, do Vasco da Gama, apoiado enfaticamente pelos portugueses (ver aqui post de João Malaia sobre o assunto).

A Casa Sportman, assim, marcou seu nome na história esportiva da cidade.

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