A Luta Romana de Mulheres/1910

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* Localização

Careta, ano 3, número 103, 21 de maio de 1910

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* Descrição

Uma “prise”. Morgan (a mulata) e Nero, alcunhada Minas Gerais, em virtude das suas avantajadas proporções estéticas

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* Comentário

Em 1910, em um contexto em que ainda eram grandes as resistências a mulheres praticando esportes (especialmente algumas modalidades consideradas muito masculinas), o atleta Zeca Peixoto e o empresário Francisco Serrador organizaram, no Teatro São Pedro de Alcântara, no Rio de Janeiro, um “campeonato de lutadoras”. Tratava-se, na verdade, de uma temporada teatral, em conjunto com o grupo musical feminino Mirales; as lutas eram realizadas entre estrangeiras, com a participação de algumas brasileiras que vieram de São Paulo.

O evento teve grande repercussão na cidade. De um lado, houve boa acolhida do público e excelente repercussão na imprensa. De outro lado, houve estranhamentos. As roupas e posturas das competidoras chamavam a atenção e eram motivos de críticas. Os mais ligados ao campo esportivo, criticavam o formato de realização.

Certamente a realização desse certame trata-se de uma exceção à época. Vale, todavia, comentar que a grande divulgação, o sucesso da empreitada, o fato de ser notícia em importantes periódicos, o tempo em que foi motivo de curiosidade são indicadores de uma nova sensibilidade sendo gestada. Se persistiam as dúvidas quanto à adequação moral e física da prática (mais a primeira do que a segunda), a dimensão de espetáculo iria impulsionar cada vez mais a presença ativa de mulheres no âmbito esportivo.

E ficariam registrados na história da cidade os nomes daquelas incríveis “lutadoras”: a russa Schuwalod, Nero Berkson (que foi alcunhada de Minas Gerais, nome do navio adquirido pela Marinha brasileira à época), Philippi, Morgan, Nelson, Fisher, Rieb, Schmidt e as brasileiras Annita e Nenê.

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