Corridas no Jockey-Club/Grande Prêmio Cruzeiro do Sul/1908

16/07/2011

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* Localização

Careta, ano 1, número 3, 20 de junho de 1908

* Descrição

Corridas no Jockey Club/ Grande Prêmio Cruzeiro do Sul

* Comentário

O turfe foi o primeiro esporte a se organizar na cidade do Rio de Janeiro; o pioneiro clube foi fundado já em 1849, o Club de Corridas. Depois de um período de dificuldades, no quartel final do século XIX a modalidade se tornou muito popular, sendo, contudo, substituída na preferência popular, no final da década de 1890, pelo remo. Novos tempos apontavam para uma nova prática valorizada, e o turfe lembrava o rural, a aristocracia, costumes julgados antigos por um setor da cidade que aspirava progresso e modernidade.

Ainda assim, e até os dias de hoje, o turfe segue ocupando lugar destaque para um setor das elites, graças a sua capacidade de instituir mecanismos de status e distinção.

Nas imagens acima vemos um dia de páreos no hipódromo do Jockey Club, que se localizava no Bairro de São Francisco Xavier, no mesmo local onde fora fundado o pioneiro Club de Corridas. Podemos perceber que o público é mais representado do que aspectos da competição em si: apenas um conjunto (cavalo e jóquei) é exibido. Essa opção deve-se a duas razões: a) técnicas – as câmeras ainda não conseguiam captar determinados aspectos dada a velocidade da prova; b) simbólicas – exibir os assistentes e as figuras mais importantes da sociedade era o mais valorizado. Nas fotos acima vemos até mesmo a chegada do Presidente da República, Afonso Pena, e do Ministro da Indústria, Viação e Obras, Miguel Calmon, algo que se tornou comum não só na história das corridas de cavalos como dos esportes em geral.

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Regatas em Botafogo/1908

09/07/2011

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* Localização

Careta, ano 1, número 2, 13 de junho de 1908

* Descrição

Aspectos da enseada de Botafogo, do Pavilhão de Regatas e da Avenida Beira-Mar

* Comentário

No quartel final do século XIX, conforme ia se configurando como uma prática cada vez mais popular, paulatinamente o esporte foi ocupando espaço nos jornais e revistas. No decorrer da história, imprensa e prática esportiva estabeleceram relações de amor e ódio. De um lado, os periódicos eram fundamentais para atrair público e explicar as peculiaridades da “novidade”; de outro, também apontavam os problemas e interferiam demais na dinâmica da atividade. De qualquer forma, até os dias de hoje trata-se de um relacionamento praticamente indissolúvel.

No caso da Careta, uma revista que marcaria sua época, as primeiras imagens de esporte aparecem já no segundo número, lançado em 13 de junho de 1908. O formato adotado seria muito comum no decorrer da história: pouco texto e um mosaico de imagens.

Nas imagens acima, lamentavelmente de qualidade não muito boa, vemos flagrantes de regatas realizadas na Praia de Botafogo em 1908. Vemos algumas fotos dos barcos em competição, mas a maior parte é mesmo dedicada a retratar o publico no Pavilhão de Regatas, construído na administração Pereira Passos e inaugurado em 1906.

Na ocasião, o remo transformara-se em um dos mais fashionables divertimentos da cidade; as regatas eram marcadas por intenso frenêsi, não só nas arquibancadas do Pavilhão, que recebia o público de elite, como na Avenida Beira-Mar, que era ocupada por populares dispostos a acompanhar as emocionantes disputas.

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Clube de Regatas Vasco da Gama/1922

01/07/2011

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* Localização

Careta, ano 15, número 709, 21 de janeiro de 1922

* Descrição

Clube de Regatas Vasco da Gama

* Comentário

Na virada dos séculos XIX-XX, novos heróis se apresentaram em uma cidade que se pretendia moderna. Não mais se tratavam de indivíduos frágeis, doentes, que trajavam roupas em excesso e cultivam apenas uma cultura literária. Novos modelos corporais, exibidos com orgulho, algo favorecido por vestimentas que deixavam entrever a nova compleição muscular, traziam a mensagem de um novo tempo e de novas posturas: a valorização da saúde, do ativismo, de uma certa ousadia.

O remo se apresentava como o esporte ideal para celebrar o novo Rio de Janeiro e ajudava a conformar uma forte relação entre uma identidade carioca e os usos divertidos do mar.

A belíssima foto acima, tirada provavelmente na Baía de Guanabara, exibe barcos do Clube de Regatas Vasco da Gama em meio a uma prova náutica, festival ou treino. Destaca-se o contraste entre as guarnições na horizontal, os remos na vertical e os remadores como dobradiças, tudo compondo um quadro de integração com a natureza, que remete à ideia de harmonia e ordem, noções tão mobilizadas por essa modalidade que fora rapidamente adotada pela burguesia urbana carioca.

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